domingo, 3 de julho de 2011

História de um anel



Um dia enquanto passeava nas ruas do rossio de Lisboa, houve um anel numa montra que me fez parar, o que é raro.


Não era um anel que chamava à atenção as pessoas que normalmente compram anéis, não levava a soltar gritos de esplendor, mas era, a meu ver, o anel mais bonito da montra. Era simples, com uma beleza subtil, não me faria sentir mais bonita, mas sem dúvida que me iria fazer sentir mais especial… jurava ter sido desenhado para mim, completava-me. Pensei “volto cá com mais tempo”. E assim foi.


Passados uns dias voltei à mesma montra, mas o anel já não se encontrava lá. Entrei na ourivesaria e perguntei pelo anel, alguém o tinha comprado mas sugeriram-me que procurasse noutras lojas. Assim fiz, mas nada.


Depois desse longo dia cheguei a casa triste e levou-me a reflectir sobre inúmeras coisas:
Quando vi o anel admiti que ele não sobressaia à vista de qualquer um e disse com segurança “volto cá mais tarde”, esqueci-me porém que poderiam haver outras pessoas que achassem de igual modo aquele anel especial.
Pensei também que o poderia encontrar noutro sítio, mas depois de muito andar logo me apercebi, que embora eu não soubesse, deveria ter tido em consideração que aquele anel poderia ser único.
E é assim… quando se gosta logo à primeira vista, não se pode pensar, não se pode hesitar, não se pode voltar mais tarde. Agarra-se ou deixa-se simplesmente ir. O amanhã pode ser tarde demais.


Hoje eu sinto que sou esse anel.

terça-feira, 21 de junho de 2011



If only I could say what it feels like…
If only I could talk to somebody…. Somebody who understood…
Nobody would.
Maybe I was too naive to believe when you said you liked me,
Too stupid to think we were in love with each other,
A dreamer, dreaming about our future.
Maybe I am too young to know what love is... But,seriously,do you?


[Hope you understand this time… I made it in English.]

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Zona de restauração na baixa de Lisboa



Eram sensivelmente 12h40 quando eu comia despreocupadamente um hambúrguer e reparo que alguém se aproxima a uns metros de mim. Era alto, moreno, cabelo escuro, lábios particularmente bem desenhados de cor apetecível e olhos verdes. Pensei que fosse o fim do mundo e os deuses tivessem descido à Terra, mas não. 
Ele olhava à sua volta insistentemente à procura de algo, ou de alguém e eu pensei “ Será que sou eu quem tu procuras?”, um sim seria perfeito mas por não me ouvir, ele não respondeu.



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011


E se um dia eu arranjar alguém?
Se tiver com ele todos os dias,todas as noites.
E se tu imaginares que lhe digo que gosto dele,que lhe dou um beijo antes de dormir e faço amor com ele ao acordar ?
E se eu mesmo assim disser que te amo,
Tu acreditas?


sábado, 25 de dezembro de 2010

"Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o o'bolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço."
 

Ricardo Reis
 
Meu amigo Pessoa, porque é que eu não te dei ouvidos? Agora nem eu sei como vou viver o amanhã.

domingo, 12 de setembro de 2010

Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

Ultimamente tenho andado a tentar convencer-me que o melhor é estar sozinha e, pelo pouco que já vivi, esse parece ser o caminho mais fácil.

A verdade é que preciso de alguém que me ame. Preciso de alguém que me dê valor. Que me beije com paixão a cada dia que passa. Que ao sorrir transpire felicidade só por estar comigo. Quero alguém que me dê festinhas até eu adormecer. Que me dê um beijo na cara só porque sim. Quero um abraço que dure mais do que 10 segundos. Quero que me diga ao que cheira a minha pele. Que me elogie ao ouvido ou à frente de milhares de pessoas. Quero que me agarre com ternura e me faça tremer,voar. Sonhar. Quero que o faça todos os dias da minha vida porque o meu coração tem graves problemas de memória.

Quero amar alguém. Quero sentir que ao dar o meu melhor por essa pessoa é pouco.

Preciso de um Homem. E um Homem é todo e qualquer ser que não só me diga mas também mostre que gosta de mim e eu acredite.

Pai Natal, é pedir assim tanto ?

terça-feira, 29 de junho de 2010

Over and Over Again…

Gostava de dedicar este texto a alguém, para mim, muito especial.  

Vejo-te neste estado há anos, já não sei o que mais usar para te demover desse ciclo vicioso em que te meteste. E na minha mente já procurei respostas às perguntas com as quais me debato dia após dia… O que te faz voltar atrás? Eu sei que em cada “não” que dizes é um “sim” pensado...
Porque é que voltas? Cada pedaço de ti se perde em cada volta que dás… Quantas mais voltas terás de dar? Sempre que te vejo ir também uma parte de mim se vai… e eu sei que em cada presente sorriso teu está uma futura lágrima. E sei que tu também o sabes.  
E isto custa-me, consome-me, revolta-me, magoa-me.
Sei que caminhar nesse deserto é duro, mas esse oásis que vês é pura miragem…Porque não andas mais um pouco? Eu levo-te ao colo se quiseres, mas por favor não bebas mais dessa água.  

Para terminar gostava também de dedicar esta música que em tudo reflecte o que escrevi acima.  
“Waitin', watchin' the clock, it's four o'clock, it's got to stop  
Tell him, take no more, she practices her speech  
As he opens the door, she rolls over...  
Pretends to sleep as he looks her over  

She lies and says she's in love with him, can't find a better man...  
She dreams in color, she dreams in red, can't find a better man...  
Can't find a better man  
Can't find a better man  
Ohh...  

Talkin' to herself, there's no one else who needs to know...  
She tells herself, oh...  
Memories back when she was bold and strong  
And waiting for the world to come along...  
Swears she knew it, now she swears he's gone  

She lies and says she's in love with him, can't find a better man...  
She dreams in color, she dreams in red, can't find a better man...  
She lies and says she still loves him, can't find a better man...  
She dreams in color, she dreams in red, can't find a better man...  
Can't find a better man Can't find a better man Yeah...
She loved him, yeah... she don't want to leave this way  
She feeds him, yeah... that's why she'll be back again  
Can't find a better man” 
 
Pearl Jam

sábado, 1 de maio de 2010

As palavras que ficaram por dizer…


Só tarde percebi que era burra, tal como tu tantas vezes mo disseste e eu nunca quis acreditar… Acreditei antes quando me dizias “és a mulher da minha vida”, “não sei viver sem ti”… era o coração a querer ouvir e os olhos a não quererem ver… Quis construir um castelo contigo, independentemente se demorasse anos ou não. Tu concordaste, mas preferiste um castelo de areia. Era mais fácil, não era? E eu a pensar que era por estares ansioso por o construir… afinal tu simplesmente não te importaste com o temporal lá fora. Cheguei mesmo a perguntar-me… “Para quê tanto esforço? Para quê o tanto te querer agradar? Para quê aguentar tanto sofrimento? “ Mas o que sentia por ti falou sempre mais alto.
A culpa é minha. Eu sei. Fui eu que sempre me deixei levar pelas tuas palavras e ignorar as tuas acções… a verdade é que tu estavas a preparar um vendaval. Quando me disseste que tinhas outra, todo o castelo de areia se desfez e só quando os muros desceram abaixo dos meus olhos é que reparei que andavas a construir um outro castelo, que eu nunca vi, porque nunca tive a coragem de ir à janela, com medo de ver o tempo lá fora.

Sabes que mais? Obrigada. Ainda bem que me traíste. Ainda bem que o fizeste da maneira mais cobarde possível. Esquecer-te foi estupidamente fácil.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Alguém se inspirou num antigo texto meu

Sinto falta da tua voz. Quero que me beijes de novo, com a mesma intensidade, com a mesma naturalidade e da mesma forma surpreendente como o fizeste. Não me bastam apenas mensagens tuas, letras, palavras… de que servem ? Quero sentimentos, quero tocar, sentir- te… ao mínimo pormenor… e acho que será pouco. Não me leves a mal… mas posso repeti-lo só mais uma vez ?

sábado, 12 de setembro de 2009

Força

Ouço as pessoas a falar de força “aquele é mais forte que o outro” dizem elas após o último acabar de cair, como se estivessem a comentar algo que ainda ninguém tivesse reparado... E há sempre aquela frase que todos gostamos de ouvir “tu és forte, consegues ultrapassar isto” e pensamos nela até não termos força para mais... Também há a força do olhar. Bem, esta nem todos a têm mas admiro quem possui a arte de a conseguir utilizar. É espantoso como se conseguem captar ideias, pensamentos ou simplesmente mandar calar alguém apenas com um simples olhar. Há outros que ao serem desprovidos de força física ou simplesmente querendo resolver os problemas de forma aparentemente mais pacífica, utilizam a força das palavras. Esta é, sem dúvida, a minha preferida... Se pensarmos bem, o que realmente nos magoa não é algo físico, mas sim aquilo que nos fere os sentimentos, que nos deixa marcas (muitas delas irreversíveis), que faz com que nos sintamos fracos sem, porém, nos terem tocado. “Haverá algo mais verdadeiro que vencer a força com a razão?”. Mas por trás de todas estas forças existe, a meu ver, uma força vital, a “força que faz mover forças”. Esta dá-nos esperança, diz - nos para jamais desistirmos, faz-nos lutar até ao fim, mostra - nos quais os nossos limites e faz – nos ir para além destes, faz com que encontremos sempre uma nova alternativa, tem a capacidade de nos pôr simplesmente a pensar em duas únicas palavras “querer” e “conseguir”, é ela que nos mostra quem realmente somos e sem ela não somos nada. Chamo-lhe força de vontade.

LOUcura

Apetece - me cometer uma loucura...
Apetece – me chegar ao pé de ti e sem quê nem porquê beijar – te... não quero saber se queres ou se já querias, não quero saber se gostavas ou ias gostar, não quero saber se me ias tentar afastar para ser ainda mais intenso ou ias simplesmente deixar-te levar... não quero saber... porque a seguir, sem querer saber o que pensaste ou o que sentiste, ia me embora...
Afinal era uma loucura, certo?

domingo, 21 de junho de 2009

Todo ele é o mistério por ser desvendado, o segredo por ser revelado, o pecado ansioso por ser cometido.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Perguntas ?


Este pensamento constante, esta vontade indominável, esta cegueira surda que só nos deixa ver o que estamos a ouvir (e, neste caso, só ouço o coração), todo este não querer nada senão uma única coisa, me domina. Eu não sei o que fazer: olho para todos os caminhos, mas apenas vejo uma direcção; passam por mim todos os sentimentos, mas só um fica; não ouço nada a não ser uma voz... Porquê? Porque é que agora numa paisagem de inverno vejo flores a nascer? Porque é que à noite sinto o calor do sol? Porque é que o céu, para mim, pode ser de muitas cores? Porquê ter tantas saudades de algo que nunca foi meu? Tantas perguntas, quando a resposta é simples e única... “ porque é que me apaixonei?”


. 2007

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Tu sabes....

Eu não te vou contar a sensação que foi ouvir –te chamar pelo meu nome perto de mim. 
Não te vou dizer o que senti quando me beijaste pela primeira vez. 
Não te vou descrever todo aquele carinho de quando me pediste colo, nem quando te acariciei o rosto. 
Não te vou falar sobre o olhar penetrante com que me olhavas nos olhos e muito menos te dizer que naquele momento era capaz de desvendá-lo. 
Não te vou desenhar o fogo que ardeu quando desceste em mim. 
Não te vou sussurrar o auge de prazer de quando fomos um só. 
Não te vou pintar a magia que pairou na madrugada quando acordei e te vi ao meu lado. 
Não te vou soletrar o sabor das torradas que me alimentaram o corpo e alma para a despedida que se seguia. 
E não, também não te vou admitir que estou apaixonada. 

Mas tu sabes, não sabes?

A chuva cai

A chuva cai lá fora. 
O céu está negro. 
Não há estrelas. 
Tudo se foi embora. 

Fica apenas a recordação.
De um dia melhor, 
De um dia mais quente, 
De uma noite ardente. 

Ouve-se a saudade no ar.
Saudade de o ver, 
Saudade de o ter, 
Saudade de o puder tocar.

E quando ele se aproxima 
Tudo em mim se liberta. 
Um toque, dois
Mas será a hora certa? 

O seu olhar penetra 
Os seus dedos fluem nos meus, 
Os seus braços levam- me
Para o seu mundo de dúvida e incerteza. 
E de repente, 
Quando tudo cresce intensamente, 
Os nossos lábios tocam-se 
E a vela fica acesa. 
No seu mundo de incerteza. 

A chuva cai agora mais forte.
Imagino o aqui na minha cama, 
O seu cheiro intenso aconchegante, 
Aquela ternura de quem o olha, não que o ama.
14.06.2005